O Conselho Nacional de Supervisores Financeiros publicou hoje os resultados do 2.º Inquérito à Literacia Financeira da População Portuguesa, realizado em 2015 no âmbito do Plano Nacional de Formação Financeira, cinco anos após o primeiro diagnóstico feito a nível nacional pelo Banco de Portugal.

O Inquérito à Literacia Financeira de 2015 permite conhecer os níveis de literacia financeira da população nas suas três dimensões: atitudes, comportamentos e conhecimentos financeiros. Permite também identificar as áreas e os grupos populacionais com maiores défices de literacia financeira.

O Inquérito inclui um conjunto de questões que integraram o questionário usado em 2010, permitindo a comparação com os resultados então obtidos. Todavia, o inquérito de 2015 realizou-se num contexto mais abrangente do que em 2010, beneficiando da participação dos três supervisores financeiros, e da sua integração com o exercício de comparação internacional dos níveis de literacia financeira dinamizado pela International Network on Financial Education (INFE), a rede de formação financeira da OCDE, cujos resultados foram divulgados no passado dia 12 de outubro.

O questionário que serviu de base ao inquérito incluiu 102 perguntas de escolha múltipla. As entrevistas foram realizadas porta-a-porta, em todo o território nacional, junto de uma amostra de 1100 entrevistados com 16 anos ou mais, estratificada de acordo com critérios de género, idade, localização geográfica, situação laboral e nível de escolaridade.

Principais resultados

Os resultados do 2.º Inquérito à Literacia Financeira de 2015 mostram que a inclusão financeira da população portuguesa é elevada, registando-se uma melhoria nestes indicadores face a 2010. Em 2015, 92,5% dos entrevistados são titulares de pelo menos uma conta de depósito à ordem (88,9% em 2010), percentagem que sobe para 93,5% entre os maiores de 18 anos (90,7% em 2010). Cerca de 73% dos entrevistados em 2015 também têm pelo menos um seguro e 4,4% dos inquiridos afirmam ter investimentos em valores mobiliários.

Há também uma melhoria dos hábitos de poupança, ainda que se manifestem alguns sinais de inércia na aplicação dessa poupança em produtos financeiros. Em 2015, 59% referem que costumam poupar (52% em 2010), mas 60,8% dos que poupam afirmam deixar o dinheiro na conta de depósito à ordem.

As atitudes e comportamentos na gestão do orçamento familiar tendem a ser prudentes, assentes numa ponderação cuidadosa das despesas. A maioria dos entrevistados diz preferir poupar antes de comprar, controlar de forma sistemática as suas finanças pessoais, pagar as suas contas a tempo e não considera ter demasiadas dívidas.

Na escolha de produtos financeiros, os resultados de 2015 evidenciam que existe um nível elevado de confiança dos inquiridos nas instituições, à semelhança do verificado em 2010. Cerca de 83% afirmam que leem a informação pré-contratual dos produtos financeiros disponibilizada pelas instituições, mas esta nem sempre é o elemento chave na tomada de decisões. O conselho do funcionário ao balcão é um fator determinante da escolha dos produtos financeiros para 59,1% dos entrevistados, a que se segue o conselho de familiares e amigos (51,1%).

Em termos de conhecimentos financeiros, as respostas continuam a revelar algumas lacunas, tanto em questões gerais de numeracia financeira, como em conceitos diretamente relacionados com produtos financeiros. Nas questões sobre numeracia, 58,4% acertam no cálculo de juros simples, mas apenas 39,5% reconhecem o efeito dos juros compostos. Nos produtos bancários, 82% identificam corretamente o saldo de uma conta de depósito à ordem num extrato bancário, mas apenas 21,4% sabem o que é o spread e 10,5% o que é a Euribor. Nos seguros, 62,7 sabem o que é o prémio de seguro e 46,2 por cento o que é a franquia de um seguro. Nos produtos de investimento, há algum conhecimento sobre ações, mas apenas 4% sabem o significado de capital garantido num valor mobiliário.

Os grupos populacionais com maiores défices de literacia financeira são os jovens e os idosos, os estudantes, os desempregados, os aposentados e as mulheres, bem como os que têm baixos níveis de escolaridade e de rendimentos. Estes devem ser, por isso, grupos populacionais prioritários da estratégia de formação financeira.

Resultados do estudo internacional da INFE/OCDE

A INFE/OCDE divulgou recentemente as conclusões do estudo de comparação internacional dos níveis de literacia financeira, que permitem comparar a situação portuguesa com a de um conjunto de 30 países, incluindo 17 países da OCDE, através da utilização de um conjunto de questões comuns aos questionários usados nos diferentes países.

A literacia financeira é analisada pela INFE com base nas suas três vertentes: atitudes, comportamentos e conhecimentos financeiros. Para cada país, é calculado um indicador agregado de cada uma destas vertentes, bem como um indicador global de literacia financeira.

Entre os 30 países analisados, Portugal surge em 5.º lugar no indicador de atitudes financeiras, em 8.º lugar no indicador de comportamentos financeiros e em 13.º lugar na vertente de conhecimentos financeiros.

No indicador global de literacia financeira, o nosso país ocupa a 10.ª posição, acima da média de todos os países analisados e dos 17 países da OCDE que participaram no estudo internacional.