A passagem à situação de reforma pode resultar numa diminuição no nível de rendimento disponível. Evitar que tal aconteça passa por definir uma estratégia de poupança que complemente a pensão de reforma. Uma gestão informada das aplicações financeiras ajuda a maximizar a rentabilidade e a minimizar os riscos.



Poupar para a reforma

O cálculo das pensões de reforma depende, atualmente, do número total de anos de trabalho, o que significa que o valor da primeira pensão será, provavelmente, mais baixo do que o do último ordenado.

Para se manter o mesmo nível de vida poderá ser necessário recorrer à poupança que se acumulou ao longo da vida ativa para complementar a pensão de reforma.

É frequente começar-se a poupar para a reforma apenas quando o período de vida ativa está a cinco ou dez anos do fim, o que poderá não permitir acumular o suficiente para se manter o nível de vida de quando se estava a trabalhar.

Poupar para a reforma deve ser encarado como um objetivo ao longo da vida ativa, devendo iniciar-se logo que se entra no mercado de trabalho.

Definir o montante a destinar à poupança com esta finalidade é um exercício difícil, sobretudo quando se está no início da vida ativa. Esta quantia depende do rendimento que se recebe, do que se espera vir a receber, da idade com que se começa a poupar e ainda da remuneração que se espera obter com as aplicações financeiras escolhidas. O que é importante é que se estipule um montante e se verifique regularmente se este se adapta ao objetivo definido.

Princípios que devem ser seguidos quando se decide poupar para a reforma:

  • quanto mais cedo se começar a poupar, melhor, mesmo que o montante seja pequeno;
  • o esforço de poupança deve ser regular. Não importa se a regularidade é mensal, trimestral ou anual, o relevante é que haja sempre uma parcela do rendimento destinada à poupança para a reforma;
  • as aplicações escolhidas devem ter em conta a idade;
  • não se deve tocar na poupança acumulada para a reforma. Em períodos de maiores dificuldades pode existir a tentação de recorrer a esses montantes, mas tal deve ser evitado.

 


 

 

Escolher complementos de reforma

O primeiro passo para garantir que se adquire a aplicação financeira mais adequada aos objetivos definidos para a poupança destinada à reforma é comparar a oferta de produtos financeiros disponível no mercado.

Entre os produtos que geralmente se associam à poupança destinada à reforma encontram-se os fundos de pensões e os planos de poupança reforma, que existem sob a forma de seguros ou fundos de investimento.

Mas não é só porque a denominação de uma aplicação financeira inclui a expressão “reforma” que se torna, automática e necessariamente, na mais adequada. O leque de opções é mais vasto e abrange qualquer aplicação financeira, incluindo depósitos a prazo, desde que cumpra os requisitos de rendibilidade e risco pretendidos.

Antes de optar pela aplicação financeira, é fundamental avaliar os riscos que lhe estão associados e a sua rendibilidade esperada. É importante conhecer e compreender o tipo de ativos em que se investe. Há ainda outros aspetos a ter em atenção, como as regras de reembolso do produto, o regime fiscal e as eventuais comissões aplicáveis. 

A rendibilidade passada da aplicação financeira é também um fator de ponderação. Mas há que não esquecer que o desempenho registado anteriormente não é uma garantia de que se venha a obter uma rendibilidade similar no futuro. 

Os simuladores podem ajudar a obter uma estimativa aproximada do montante que irá ser acumulado até entrar na reforma, se poupar regularmente uma determinada quantia. Importa não esquecer, no futuro, que a realidade muda e o resultado de uma simulação obtida, num determinado momento do tempo, pode vir a ser diferente.

Antes de subscrever qualquer aplicação financeira deve-se ler e compreender a informação pré-contratual associada à mesma. Se alguma frase ou conceito suscitar dúvidas é importante esclarecer o seu significado.  


 

 

Avaliar riscos

No planeamento da reforma há que ter em particular atenção aos riscos geralmente associados às aplicações financeiras.

É importante garantir que a poupança efetuada ao longo da vida destinada à reforma permite reaver o capital e obter uma remuneração adicional na data em que é necessário aceder a esses fundos.

A remuneração da aplicação deverá permitir pelo menos compensar a evolução da inflação, pelo que é importante avaliar se a taxa de rendibilidade da aplicação financeira está acima do nível da inflação esperada. Caso contrário o montante que foi sendo aplicado terá perdido valor em termos reais.

De um modo geral, quanto maior a rendibilidade esperada de uma aplicação financeira, maiores os níveis de risco assumidos. Isto significa que a produtos com maior risco estão normalmente associadas remunerações relativamente mais elevadas, mas também perdas mais significativas.

Na escolha da aplicação financeira há que ter também em atenção o período de imobilização do capital aplicado. Isto é, o período durante o qual não é possível obter o reembolso dos fundos aplicados. Quando este reembolso é possível o mesmo pode estar sujeito a uma penalização significativa, que reduz a remuneração da aplicação ou mesmo, em determinados casos, pode afetar o montante do capital aplicado.

No planeamento da poupança para a reforma, a estratégia mais adequada é uma gestão que tenha em conta o número de anos que falta para a reforma.